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Caros paroquianos, ainda a propósito da morte do nosso querido Padre Bento quero partilhar convosco dois textos que nos revelam um pouco da sua passagem por aqui. O primeiro é do nosso antigo Pároco, Monsenhor Duarte da Cunha, enviado ao Senhor Patriarca e lido por sua Eminência na Homilia da Missa exequial do Padre Bento, aqui na nossa Paróquia. O segundo é do Padre José Bassanza, que connosco tem colaborado nos últimos Verões e que também deste modo privou com o Padre Bento. Faço minhas as suas palavras e com certeza muitos se irão rever nelas.

Escrevo de Jerusalém, onde soube hoje da morte do senhor Padre Bento e com tanta pena minha não vou estar nas suas exéquias. Permita-me um pequeno testemunho:

Conheci-o em 1978, há 40 anos, quando fomos viver para o Lumiar. Era coadjutor do padre Ruy, e ensinava numa escola, onde os miúdos já na altura irreverentes o cansavam tanto que chegou a ter um enfarte… mas o Senhor ainda precisava dele.
Desde logo me confessei muitas vezes a ele. Quando fui para o Seminário ele passou a ser o prior do Lumiar e, por isso, foi o meu prior de seminário. E de modo muito discreto, quase imperceptível, mas sempre com paixão pelo Senhor e pela Igreja, testemunhou-me o que é ser fiel ao Senhor, à Sua doutrina e ao zelo apostólico.
Um homem que nunca se poupou… Quando fui para Roma estudar passei a frequentar a sua paróquia de Nossa senhora do Carmo, tendo celebrado missa muitas vezes no então salão ainda em construção. Aí deu para ver a tenacidade de um transmontano. E mais tarde, no ano 2000, acabei por o substituir. Ele tinha pensado ir para a sua terra, Trás-os-Montes, mas quando lhe pedi para ficar e ajudar acho que não foi preciso mais nada, correspondia ao que ele queria, mas, mais uma vez queria ser discreto.
Ao longo destes anos, muitas vezes falava-me do seu tempo de Beja, de como tinha sido cerimoniário e, por vezes, dava-me conselhos neste campo.
Dou muitas graças por o ter tido também como colaborador. Soube sempre ajudar e respondia sempre às perguntas que eu lhe fazia sobre a paróquia ou sobre alguma pessoa, mas sem nunca ter a pretensão de que sabia tudo por ter sido o prior. Era um homem de enorme humildade. E, de novo, tantas vezes me confessei a ele e tantos paroquianos se confessavam a ele. Nunca recusava uma confissão e estava horas no confessionário se necessário.

No fim morre discreto e eu rezo por ele, mas também rezo a ele! Recebi a notícia por sms do Padre Duarte Andrade e Sousa e li-a estava eu no Calvário. Onde o Senhor nos redimiu e abriu as portas do Céu!
Padre Duarte da Cunha

Oficialmente, venho por esse meio, para exprimir as minhas profundas condolências à toda a Comunidade Paroquial de Nossa Senhora do Carmo do Alto do Lumiar, pela perda irreparável do Senhor Padre António Bento Pires, que o Senhor Deus chamou para junto de si.

Lamentamos humanamente, pelo vazio deixado por essa nobre figura de Deus na nossa Comunidade patriarcal de Lisboa e na Igreja em geral. Segundo o insigne autor e historiador africano de feliz memória, “quando morre um velho… é uma biblioteca queimada; que se vai”. Ouso repetir as mesmas palavras para com o nosso malogrado Padre Bento Pires.

Descrevendo a personalidade dele em poucos anos de partilha no ministério sacerdotal, chegando até de me absolver os pecados, digo o seguinte: foi um homem de Deus e de referência ministerial para os nossos tempos; amante de oração profunda, sociável,  de carácter, homem de fé e esperança para a comunidade. Garanto-vos que, aprendi sem medida com ele no seu silêncio missionário. Para efeito, foi um profeta para essa terra de Lisboa e testemunha da verdade evangélica sem curvas para a nossa Igreja.

Como nem sempre somos perfeitos diante de Deus uno e trino, imploremos a misericórdia divina por ele.

Agradecemos ao Senhor Jesus Cristo, Sumo Sacerdote da nova e eterna aliança, pelos dons infinitos que nos concedeu por meio dele. Frutifique cada vez mais bons e santos sacerdotes nessa terra de Portugal, particularmente no Patriarcado de Lisboa.

Reverendo Padre Duarte, agradeço novamente pelo seu tamanho afecto sacerdotal e fraterno em Cristo Jesus. Desejo-lhe coragem nesta missão de pastoreio do rebanho do Senhor. Agora tem mais um advogado irmão mais velho no sacerdócio diante de Jesus Cristo, Bom Pastor.

Por favor, se exagerei com os adjectivos, peço as minhas sinceras desculpas à Comunidade paroquial. Posto que, não se trata de canonização; simplesmente, sublinhei o que fui compreendendo do malogrado Senhor Padre Bento.

João 11,25

Unidos na fé e na caridade de Cristo!

Roma, 25.10.2018

Pe. José Bassanza Fuiti Pêngado