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Discurso de um Paroquiano no final da Missa

Não é todos os dias que se pode pregar um sermão aos Padres. Mas como é um dia especial, desculpa-se. E vão ter de me desculpar estes minutos.

É um sermão baseado numa palavra, que é a palavra gratidão.

Pessoalmente, e em relação à minha família, estou muito grato por estes 25 anos e acho que como Paróquia, como comunidade, temos muitas razões para estar agradecidos.

Obviamente, e em primeiro lugar, a Deus por nos ter concedido o dom desta Paróquia, o dom da Sua presença entre nós. O dom da Sua presença humilde e escondida, dia e noite, no Sacrário da nossa Igreja, o dom da Sua presença através dos pastores que nos deu ao longo dos anos, e também na Sua presença nas nossas vidas, nas nossas famílias, nos amigos que fomos fazendo nesta grande família.

Temos também muitas razões para estar gratos a Nossa Senhora do Carmo, à Nossa padroeira, e cada um saberá as graças que por seu intermédio fomos recebendo ao longo dos anos.

Depois, temos uma infinidade de outras razões para celebrar estes 25 anos.

Vou ter de destacar algumas.

A primeira é que esta Paróquia foi e é uma construção. Uma construção de pedra e cimento, mas sobretudo uma construção, uma obra, de pessoas.

Lembro-me de quando aqui não havia nada.

Ainda acompanhei o Pe Bento na Paróquia de São João Baptista, de onde esta se destacou, numa altura em que via todos os dias rebanhos de ovelhas, e às vezes de vacas, por esta encosta acima, onde hoje está a avenida, e no funcionamento provisório na Igreja do Hospital, onde o meu filho mais novo foi baptizado.

E queria aqui lembrar os operários da construção civil que levantaram este edifício, o arquitecto, os engenheiros, e todos os beneméritos que ajudaram materialmente a levar a obra para a frente, os apoios da Câmara de Lisboa e do Estado, da nossa Junta de Freguesia, do Patriarcado de Lisboa, do Lar Militar da Cruz Vermelha, e de outras entidades que no início e ao longo do tempo têm colaborado com a Paróquia. Lembremo-nos, por exemplo, da ajuda da PSP e da Polícia Municipal durante as nossas procissões.

Uma coisa que sempre achei muito interessante é que o nascimento e o desenvolvimento da Paróquia ajudaram a construir o bairro. Falo do aspecto humano, naturalmente. Um bairro grande, novo, em que as pessoas não se conheciam. Para muita gente, para além da dimensão da família espiritual, a Paróquia ajudou a construir os laços sociais e de vizinhança que fortalecem o nosso bairro e contribuem para que ele seja um local agradável para se viver.

Quando a Igreja veio para este sítio vieram também muitos vizinhos com toda a sua riqueza humana que a Paróquia foi ganhando.

Tudo isso temos a agradecer.

Temos a agradecer os familiares e amigos de cada um que participaram da vida da comunidade e já partiram, temos a agradecer as pessoas que por aqui passaram e por alguma razão se afastaram, e podemos agradecer também aqueles aque ainda não acreditam e que possamos acolher no futuro e se venham a aproximar de Cristo e da sua Igreja.

Acho também que é altura de referir que a vida paroquial tem sido nestes 25 anos um terreno de serviço. É possivelmente a única dimensão que verdadeiramente importa numa comunidade como a nossa.

Ao pensar no que ia dizer tentei lembrar-me das pessoas que fazem e fizeram a limpeza da Igreja, que trataram das flores nos altares, nos canteiros exteriores, que asseguraram o cartório, que contaram o dinheiro dos peditórios e separaram as moedas, que trataram da contabilidade, que colaboraram no Conselho Económico, que deram apoio jurídico quando necessário, que deram apoio técnico em várias obras de reparação. Tentei lembrar-me também das pessoas que ao longo dos anos prestaram e prestam serviço como acólitos, leitores, Ministros extraordinários da Comunhão, membros do côro das várias Missas, ajudaram na recolha dos ofertórios, no apoio à sacristia, no apoio aos velórios e funerais.

E nesta dimensão do serviço, não podia deixar de referir todas as pessoas empenhadas na missão pastoral, na catequese de crianças e adultos, na preparação para os Sacramentos, no levar discretamente a Comunhão a casa dos doentes, na organização de retiros, procissões e peregrinações, nos grupos de oração e apostolado, na Legião de Maria, nas Carminhos, nos Movimentos que aqui se reúnem e oferecem oportunidades de envolvimento aos paroquianos de acordo com os diferentes carismas.

E estamos também muito gratos a todas as pessoas envolvidas em iniciativas de serviço em escala mais institucional e organizada, como foi o Ponto de Apoio à Vida durante muitos anos, e a Carmoteca nas últimas duas décadas, com as suas várias valências em benefício dos membros mais necessitados da nossa comunidade. E aqui vale a pena referir muitas iniciativas de confraternização que a Carmoteca proporcionou com belíssimos espectáculos e jantares de convívio.

Tivemos também um apoio precioso ao longo do tempo das várias entidades católicas da nossa área, da capelania do Hospital Pulido Valente, das Irmãs Doroteias e Dominicanas, dos padres Jesuítas, dos colégios católicos, e dos muitos grupos missionários que nos interpelaram com as suas propostas à saída das Missas.

Tivemos também o privilégio de beneficiar da generosidade de inúmeras pessoas de fora da Paróquia que disponibilizaram o seu tempo para participar em debates ou conferências e vir dar o seu testemunho de vida.

E recordo aqui as várias visitas pastorais dos nossos Patriarcas Dom José Policarpo e Dom Manuel Clemente, e também de Bispos auxiliares, como Dom Joaquim Mendes, Dom Nuno Brás, Dom José Traquina, para citar só as mais recentes, e que foram momentos altos da história da Paróquia.

Tais como o foram grandes iniciativas que ultrapassaram o âmbito paroquial mas onde nos integrámos e acolhemos pessoas vindas de fora, como foi o caso do Congresso Internacional da Nova Evangelização, o Encontro Anual de Taizé, o congresso internacional da Teologia do Corpo.

Tivemos também momentos de crise. Todas as famílias os têm. Não vou acusar ninguém directamente, mas tremo ao pensar naquelas alturas em que um dos nossos queridos Párocos ameaçava cantar o salmo…

Mas crescemos e saímos reforçados dessas provações.

E o mais importante é que tivemos e temos efectivamente grandes pastores, pessoas que oferecem a sua vida pelos outros, por Cristo e pela sua Igreja.

É uma graça invulgar a nossa Paróquia ter os seus Párocos todos presentes: o Pe Bento Pires, o Pe Duarte da Cunha, o Pe Robson Cruz e o Pe Duarte Andrade e Sousa.

E queria agradecer também, sem nenhuma ordem especial, a colaboração de vários outros Padres que nos ajudaram muito: o Pe Diogo Barata, o Cónego Álvaro Bizarro, o Pe Edgar Clara, o Cónego João Seabra, o Pe João Caniço, o Pe Nuno Serras Pereira, o Pe Luís Rocha e Melo, o Pe Raimundo Mangens, o Pe António Borges e o Pe Fernando Ferreira. E do Pe Michael que me desculpem evitar o impronunciável apelido. E também, enquanto seminaristas, os hoje Padres Paulo Silva e Marcos Martins.

É muita gente. E para traduzir a nossa gratidão pelo precioso serviço de todos à Paróquia, vou apenas referir o traço comum de fidelidade à missão simbolizado pelo Pe Bento e o seu exemplo de anos e anos de constância no Sacramento da Reconciliação, sempre disponível aos domingos de manhã, quando tantos mais precisam.

Muito obrigado a todos os nossos grandes pastores!

Resta-me manifestar a esperança de que nos próximos 25 anos aqui possamos continuar a integrar-nos nessa grande peregrinação da corrente da transmissão da fé, de geração em geração, e que a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo continue a ser um lugar de encontro na amizade e um lugar de encontro com Jesus.

Nuno Magalhães Guedes

19 de Maio de 2018